quarta-feira, 20 de julho de 2011

TIME DO CORAÇÃO - HISTÓRIA: REINÍCIO 1 "RESSURREIÇÃO"


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"O São Paulo Futebol Clube, fundado na cidade de São Paulo, onde tem foro e sede, em 16 de dezembro de 1935, preservador das glórias e tradições do São Paulo Futebol Clube, da Floresta, o qual foi fundado em 25 de janeiro de 1930 e extinto em 14 de maio de 1935, é uma Entidade de Prática Desportiva, constituída na forma de associação civil sem fins econômicos com prazo de duração indeterminado e que tem total autonomia de organização e funcionamento, de conformidade com o inciso I do artigo 217 da Constituição Federal da República Federativa do Brasil de 05/10/1988.
O dia 25 de janeiro é considerado data magna do São Paulo Futebol Clube, em homenagem à primeira partida oficial de futebol do Clube."
Artigos iniciais do atual Estatuto do São Paulo Futebol Clube.
Manoel do Carmo Meca, Cid Mattos Viana, Francisco Pereira Carneiro, Éolo Campos, Manoel Arruda Nascimento, Izidoro Narvaes Caro, Francisco Ribeiro Carril, José Porphyrio da Paz, Eduardo Oliveira Pirajá, Frederico Antônio Germano Menzen, Francisco Bastos, Sebastião Portugal Gouvêa, Dorival Gomes dos Santos, Deocleciano Dantas de Freitas e Carlos A. Azevedo Salles Júnior.
Ao todo, quinze homens que não deixaram o sonho do torcedor são-paulino desaparecer ao se encontrarem no escritório do advogado Silvio Freire, na Rua Onze de Agosto - atual Praça da Sé -, para perpetuarem o renascimento do São Paulo Futebol Clube. Outros 73 tricolor assinaram, posteriormente, a ata de fundação datada de 16 de dezembro de 1935.
Manoel do Carmo Meca foi eleito o primeiro Presidente, e a diretoria foi composta da seguinte forma: Vice-Presidentes: Alcides Borges, Francisco Pereira Carneiro; Secretário: Luiz Felipe Paula Lima; 1º Tesoureiro: Manoel Arruda Nascimento; 2º Tesoureiro: Izidoro Narvaes; Diretor Geral de Esportes: Tte. José Porphyrio da Paz; Representante junto a Liga Paulista: Frederico Antônio Germano Menzen.
Daquele clube que antes veio ao mundo em berço esplêndido, somente a Fé restara. A fé que, degrau por degrau, escalou o Mundo, conquistando honras muito maiores que as glórias do passado. Do reinício, no fundo de um porão alugado na Praça Carlos Gomes - a sede do clube de 1936 à 1937 -, ao Tricampeonato Mundial Interclubes, em 1992, 1993 e 2005.
A jornada iniciou-se em 21 de janeiro de 1936, no primeiro treinamento da nova equipe, que agora não contava com jogadores de renome ou grandes promessas. Na Rua da Moóca, um sonoro 7 a 3 contra o CA Paulista. Dois dias depois, novo coletivo e uma auspiciosa vitória por 3 a 2 sobre o Palestra Itália, no Parque Antárctica.
Era chegada a hora da estreia oficial. 25 de janeiro de 1936: a cidade festejava seu aniversário, enquanto o clube se preparava para entrar em campo. Faltava, entretanto, autorização municipal para promover evento paralelo às festividades oficiais. Correu então o fundador Porphyrio da Paz para obter a certificação necessária junto ao Secretário da Educação, o Dr. Cantídio Campos. A liberação veio prescrita em um receituário médico do doutor.
Tudo certo fora das quatro linhas. Dento de campo, a partida realizada no Parque Antárctica contra a Associação Atlética Portuguesa, de Santos, terminou com vitória do São Paulo, por 3 gols a 2. A honra do 1º gol do Tricolor refundado coube a Antônio Bertoletti, o Antoninho.

SÃO PAULO Futebol Clube 3 X 2 Associação Atlética PORTUGUESA
25.01.1936

Amistoso Nacional
São Paulo (SP)
Estádio Palestra Italia (Parque Antarctica)

SPFC: King; Ruy e Picareta; Ferreira (Julio Colosso), José e Segoa; Antoninho, Hermenegildo Gabardo, Juca (Gutiérrez), Carazzo e Paulinho.
Técnico: Armando del Debbio
Gols: Antoninho, 5/1; Carazzo, 8/2; Carazzo, 20/2

AAP: Ratto; Romeu e Teixeira; Del Popollo, Archimedes e Argemiro; Vega, Armandinho, Orlando (Franco II), Tim e Gildo.
Técnico: Desconhecido
Gols: Ruy (contra), 43/1; Franco II, 20/2

Árbitro: Heitor Marcelino Domingues
Público: 3.000 pagantes

TIME DO CORAÇÃO - HISTÓRIA: FLORESTA 5 "BREVE FIM"


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Em meio ao clima da Copa do Mundo de 1934, uma crise administrativa assolava o futebol brasileiro. A disputa amadorismo x profissionalismo ainda seguia a pleno vapor, causando problemas também para a Seleção Brasileira. A única entidade nacional reconhecida pela FIFA era a CBD, no caso, amadora. Desde 1933, porém, os principais clubes nacionais já eram profissionais e filiados a FBF. No eixo RJ-SP, todos, exceto o Botafogo.
Houve grande pressão para que os clubes profissionais liberassem seus atletas convocados para a amadora CBD, o que causou revolta entre os dirigentes. Um clube chegou a esconder (e trancafiar) seus jogadores em fazenda no interior. Do São Paulo, foram convocados Luizinho, Armandinho, Waldemar de Brito e Sylvio Hoffmann. O clube não liberou os atletas, mas a medida não foi o suficiente e a CBD os pirateou mesmo assim. Obviamente, os dirigentes são-paulinos ficaram enfurecidos.
O conflito de bastidores não se resumiu à esfera nacional. O racha chegou à APEA, a federação estadual. Devido à perda de poder da FBF, à qual a APEA era subordinada, o Palestra Itália (justamente o clube que escondera jogadores no interior), lidera a fundação da LPF e se sujeita à antes inimiga CBD. Em breve seria seguido por outros clubes paulistanos.
Isolado politicamente, o Tricolor permaneceu na APEA o quanto pôde, sendo o último clube grande a aderir a LPF e a engolir a CBD. Este fato dividiu os dirigentes, conselheiros e sócios do São Paulo FC. Muitos nunca admitiriam o cabresto daquela entidade. Por já estarem fartos de, dia após dia, conviverem com o caos federativo, uma comissão conjunta aprovou, em 26 de janeiro de 1935, por dez votos a dois, um estudo de fusão com o CR Tietê. A idéia era deixar o futebol e suas intrigas políticas de lado, concentrando-se somente nos esportes amadores (afinal, a fusão CR Tietê-São Paulo FC produziria o maior clube social do Brasil).
Para justificar essa ação desproporcional aos que não queriam deixar a herança do CA Paulistano morrer, alardeou-se uma suposta dívida contraída após a compra de uma luxuosa sede de gala, o famoso Palácio do Trocadero, em 1934. A tal dívida, em seu total, era de 214 contos de réis. Como bem retrata o livro História do Futebol no Brasil, do consagrado jornalista Thomaz Mazzoni, tudo não passou de pretexto. Esse montante, como argumenta o autor, seria facilmente coberto pelo valor do passe de 2 ou 3 craques do elenco, que contava com o maior jogador brasileiro de sua época: Friedenreich.
Em verdade, a própria receita gerada pelo departamento de futebol seria suficiente. Como exemplo, só em 1933 o clube arrecadou 381 contos de réis. Dinheiro não era desculpa. A decisão foi política. Tamanha foi a repercussão da filiação à CBD e da proposta de fusão que o presidente Edgard de Souza Aranha renunciou, em 7 de março de 1935.
Novamente a fusão foi posta em pauta em reunião de Diretoria e Conselho, no dia 12 de março, e mais uma vez o resultado foi favorável. Com isso, até mesmo os jogadores, liderados por Araken Patusca - o capitão do time -, se rebelaram publicamente contra, pois queriam continuar a jogar sob as cores do SPFC. Punidos pela diretoria, fundaram então o Independente Esporte Clube, em 25 de março de 1935, que usava as mesmas cores do São Paulo.
O destino do clube foi definido em 14 de maio, em Assembléia Geral. Ou, melhor, nem tão geral assim. Pelo artigo 2º dos estatutos, definiu-se que somente os 205 sócios considerados fundadores poderiam participar de tal Assembléia, e não a totalidade dos sócios (mais de 2 mil). Destes aptos, somente 151 estavam em condições de voto ou vivos.
Finalizado o plebiscito, 113 sócio-fundadores optaram pela fusão, 33 se abstiveram, e somente 5 foram contra essa decisão. Assim foi decidido oficialmente o fim do São Paulo FC de outrora e sua decorrente fusão com o CR Tietê, formando assim o Clube de Regatas Tietê-São Paulo, também tricolor.
Como em 1929, os descontentes se mobilizaram e mais uma vez lutaram para manter viva a glória antes conquistada. A luta foi sofrida e o caminho, longo, mas nada impediria que aquele que viria a ser conhecido como o Clube da Fé voltasse a campo. Não foi em três dias, ou três meses depois, mas o São Paulo FC renasceu.

TIME DO CORAÇÃO - HISTÓRIA: FLORESTA 4 "ESQUADRÃO DE AÇO"


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O São Paulo Futebol Clube nasceu grande, com os craques do Paulistano e a melhor praça esportiva da cidade, na Chácara da Floresta, que passou por reformas e ganhou postes de iluminação para jogos noturnos, algo inédito até então na capital.
Dentro de campo o Tricolor ia muito bem, só conhecendo sua primeira derrota em sua nona partida oficial, e emplacando, pouco depois, uma sequência invicta de 20 jogos. Foi o Vice-Campeão Paulista de 1930, com uma única derrota em seu ano de estréia na APEA. Nada mal para um novato.
O Campeonato Paulista de 1931 somente foi encerrado em 1932. Novamente o São Paulo só perdeu uma única partida, ainda no início do certame. Ao fim, decidiria o título, disputado em pontos corridos, em um jogo contra o Corinthians - o mesmo que o derrotara em 1930. O Alvinegro atuaria em casa, ou melhor, na Fazendinha. O Tricolor não se intimidou e goleou, por 4 a 1, com dois gols de Armandinho, e outros de Friedenreich e Araken Patusca. O São Paulo FC deu o troco e comemorou seu primeiro título em solo alheio. Nascia, assim, o Esquadrão de Aço.
A temporada de 1932 foi curta, abreviada pela Revolução Constitucionalista - somente 11 jogos foram disputados -, quando muitos dos jogadores paulistas pegaram em armas pela defesa do estado, inclusive o craque Friedenreich. Uma derrota inesperada para o Germânia atrapalhou os planos, e o São Paulo foi, mais uma vez, o vice-campeão. O Germânia, aliás, foi o único time paulista, além de Palestra e SCCP, que venceu o Tricolor no período 1930-1935.
No ano seguinte, o profissionalismo foi oficialmente adotado, e uma partida do São Paulo inaugurou a nova era do futebol brasileiro. A primeira peleja dessa nova fase aconteceu em 12 de março de 1933, e - claro - não podia deixar de ser uma goleada, para ficar bonito na história: 5 a 1 sobre o Santos, lá na Vila.
Outra novidade: em 1933 acontece a disputa do Torneio Rio-São Paulo, então chamado Campeonato Brasileiro de Futebol Profissional (sic), em que o São Paulo foi o segundo colocado. A mesma posição obtida no campeonato estadual. Ficaram para a história, entretanto, a melhor média de gols da história do clube (3,74 gols por jogo) e as 19 goleadas aplicadas em 34 jogos.
O desempenho só não foi ainda superior por culpa de uns tropeços aqui e acolá. Eles se repetiriam mais uma vez em 1934, com outro Vice-Campeonato Paulista. Justificável, pois, como veremos a seguir, o clube estava mais preocupado com outros assuntos...